Sunday, January 10, 2010

Urchin Beret v2.0

A boina Urchin que tinha feito não me assentava como queria, parecia-me demasiado larga e quase a perdi uma vez porque ia voando com uma rabanada de vento! Assim, durante as férias de Natal decidi desfazê-la e ao tricotar de novo reparei que me tinha enganado.

Na receita original lê-se (cortesia da Celina, não fui eu que traduzi!)

Receita:
Usando a montagem em croché ou outro método de montagem provisório, montar 20 (22, 24) m.
Tricote 1 volta.
Volta 1 (Direito): Tric. até às 2 últimas m., “embrulhe” (“wrap”: passe o fio à volta da última malha que tricotou) e vire (“turn”: o fio está a jeito para continuar a tricotar nesta volta). Isto é o que se chama “wrap & turn” ou short-row (carreira curta). A explicação com fotos está aqui.
Volta 2 (Avesso): Tric. até ao fim.
Volta 3 (D): Tric. até à última m. antes da m. “embrulhada” da volta anterior, embrulhe e vire.
Repita estas 2 voltas 1 (2, 3) vezes mais. 3 (4, 5) m. terão sido embrulhadas.
Volta 4 (A): Tric. até às últimas 4 m., embrulhe e vire.
Volta 5: Tric. até à última m. antes da m. embrulhada da volta anterior, embrulhe e vire.
Repita esta volta mais 8 vezes.

Há 5 m. embrulhadas no bordo maior do Wedge; este bordo formará parte da extremidade da boina. Há 8 (9, 10) m. embrulhadas no bordo mais estreito do Wedge.

Volta 6 (A): Tric. até ao fim.
Volta 7 (D): Tric. todas as malhas.
Volta 8 (A): Passe 1 m. sem tricotar, tric. até ao fim.
Repita o Wedge mais 7 vezes, omitindo as Voltas 7 e 8 no último Wedge.

Da primeira vez, não omiti os passos 7 e 8, o que resultou numa boina excesivamente grande. Desta vez estpu satisfeita com o tamanho e aparência, por isso não vou mudar mais nada, apesar de ter feito o tamanho M e um wedge a mais, por me ter distraído a tricotar enquanto via televisão.


A parte de trás



Sunday, January 3, 2010

2010

Nem acredito que já começa o novo ano... Pior, que se iniciou uma nova década e eu pouco ou nada recordo o que se passou na minha vida desde o ano 2000. Estou mesmo a ficar velha...

Para o novo ano, ficam algumas resoluções:
- Parar de me angustiar com o futuro
- Ter fé que as coisas vão melhorar
- Ser feliz e fazer o que gosto
- Continuar fiel a mim mesma
- Continuar a aprender e a crescer

E a última e não menos importante:
- Fazer mais tricot

Neste ano em que mal tricotei quase me esqueci do quanto o tricot me acalma e ajuda a pensar. Tornei a pegar nas agulhas e já tenho muitos planos para novos projectos e dois WIP. Tentei tricotar um pouco no ano que passou mas as tendinites fiseram com que não conseguisse. Cheguei, pela primeira vez a acordar com dores no braço direito e por isso decidi não abusar. Desde que parei de trabalhar não tenho tido dores, estou muito contente, espero que se mantenha!

Para encerrar, ponho um poema de José Régio com o qual me identifico muito:

Cântico negro

José Régio


"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!