Nem acredito que já começa o novo ano... Pior, que se iniciou uma nova década e eu pouco ou nada recordo o que se passou na minha vida desde o ano 2000. Estou mesmo a ficar velha...
Para o novo ano, ficam algumas resoluções:
- Parar de me angustiar com o futuro
- Ter fé que as coisas vão melhorar
- Ser feliz e fazer o que gosto
- Continuar fiel a mim mesma
- Continuar a aprender e a crescer
E a última e não menos importante:
- Fazer mais tricot
Neste ano em que mal tricotei quase me esqueci do quanto o tricot me acalma e ajuda a pensar. Tornei a pegar nas agulhas e já tenho muitos planos para novos projectos e dois WIP. Tentei tricotar um pouco no ano que passou mas as tendinites fiseram com que não conseguisse. Cheguei, pela primeira vez a acordar com dores no braço direito e por isso decidi não abusar. Desde que parei de trabalhar não tenho tido dores, estou muito contente, espero que se mantenha!
Para encerrar, ponho um poema de José Régio com o qual me identifico muito:
Cântico negro
José Régio
"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!